Entre os cinco principais partidos, o resultado pareceria evidente: o PS perdeu para todos. Todos. Mas também é verdade, e isso não pode ser esquecido, que há três meses atrás o PS tinha tido menos de um milhão de votos e uma percentagem de 26,5%. Nesses três meses recuperou para 36,5% e para mais de dois milhões. Não é obra pequena. Haverá algum mérito próprio nisto, mas houve claramente demérito também de dois dos seus oponentes. Já lá vamos.
Os dois grandes vencedores são os dois "extremos". O CDS aumenta entre Legislativas 175 mil votos, 3,2% e o grupo parlamentar cresce 75%, de 12 para 21. O BE aumenta 190 mil votos, sobe 3,5% e aumenta a sua representação em 100%, passando de 8 para 16 deputados. É obra para ambos os casos. O CDS conseguiu polarizar todo o descontentamento à Direita e o BE afirmou-se como o maior partido à Esquerda do PS.
E chegamos pois ao PSD e à CDU. Guardando o melhor para o fim, vamos à CDU. Subiu - 14 mil votos. Aumentou a percentagem - 0,32%. Aumentou a representação - mais um deputado. Mas isso é suficiente? Com um governo tão reformista, que afrontou tantos poderes instalados, pode a CDU crescer tão pouco? Pode, porque o eleitorado da CDU resiste mal à bipolarização, estando sujeito às oscilações cíclicas dos grandes partidos. Quando ainda há não muito tempo as sondagens davam empate técnico entre o centro-esquerda e o centro-direita, a CDU começou a descer. O toque soou e os eleitores que vacilam entre os comunistas e PS concentraram-se nos socialistas. Vencendo (porque venceu) a CDU perdeu.
E temos enfim o PSD. Proeza: em Junho ganharam com uma confortável margem sobre um PS vergastado pela Esquerda, atacado pela Direita, apupado pelos sindicatos, enxovalhado na comunicação social. Pouco mais de uma dúzia de semanas depois, perderam. Tal como a CDU tiveram mais percentagem (0,39%), mais deputados (6) e mais votos (6 mil). E tal como com a CDU, muito mais se lhe pediria. Como é que tamanha vitoriosa derrota foi possível? Muito simples a meu ver. A minha conclusão vai em jeito de recomendação.
Caros amigos, companheiros sociais-democratas: aprendam, de uma vez por todas. Já tiveram a derrota de 2005; e somaram 2009. E em ambas recorreram à mesma estratégia. As golpalhadas, as inventonas, as mentiras (de perna curta, felizmente), não pegam, não colam, desgostam e são punidas. Em todos os casos - e principalmente quando alguém se propõe fazer uma Política de Verdade.
Não resisto apenas a dizer que qualquer hipótese de serem implementadas as reformas duras mas absolutamente necessárias de que sectores como a Segurança Social necessitam está irremediavelmente perdida para os próximos dois anos. Vão ser dois anos a marcar passo, os poderes corporativos como os professores vão ter um passeio de glória infinita e só poderemos aspirar a algo diferente quando, depois das Presidenciais, a Direita (com a conivência da sempre pouco estrategicamente inteligente Esquerda) já segura da sua vitória derrubar o governo PS.
Comentários
Manuela
É verdade que o PSD baseou a sua campanha e a sua oposição ao governo, em geral ao longo dos anos (não foi só na aproximação às eleições), em golpalhadas, inventonas e mentiras. Não creio no entanto que essa estratégia tenha sido a principal culpada pelo mau resultado do PSD. A principal culpada foi a figura de Manuela Ferreira Leite, que não tem qualquer credibilidade, nem como líder partidária nem muito menos como primeira-ministra. O povo português recusou-se a votar no PSD porque viu que fazê-lo equivaleria a passar um cheque ao portador.
Luís Lavoura
PSD
Para mim o problema é que o PSD não apresentou uma ideia motriz para Portugal, nem sequer um grupo de medidas que nos permitisse tirar algumas conclusões.
Partidos médios
Concordo que os grandes vencedores foram o CDS e o BE.
De facto, grosso modo, nestas eleições a vitória foi dos partidos médios, e a derrota dos partidos grandes e dos partidos pequenos.
A consequência é que o espetro partidário ficou muito mais equilibrado entre os cinco principais partidos e, portanto, torna-se muito mais difícil fazer uma coligação para sustentar o governo, ou para fazer passar uma qualquer lei.
Luís Lavoura
Difícil?
Desculpa, mas o PS tem 3 opções para fazer passar uma lei:
- Acordo com PSD;
- Acordo com PP;
- Acordo com PCP + BE.
Não estou a ver dificuldades de maior, sendo que claro, vai sempre ter que ceder alguma coisa, mas isso é positivo. Só teria dificuldades se os partidos decidirem em conjunto fazer-lhe a vida negra. Mas, tendo 3 hipóteses diferentes de negociação, todos sabem, que se não negociarem, outros poderão negociar...
Nem mais
Nem mais
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