Afinal o Saramago sempre se excedeu

Afinal o Saramago sempre se excedeu.
O próprio admitiu. Portanto, esse ponto está decidido.

A outra questão é se a Bíblia é um manual de maus costumes. O próprio Saramago disse que isso é um mau comentário que não devia ser levado a sério. Algo como uma liberdade de autor. Portanto, não é para ser levado a sério.

Outro ponto discutido é se a bíblia deve ser lida à letra e o representante da igreja presente no debate disse que a bíblia não é para ser discutida à letra.

O Saramago disse ainda que não gosta de criar polémica gratuita indicando que esse comportamento não é correcto.

Falta saber então porque o fez.

O direito ao respeito também é uma liberdade.

Comentários

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Retrato de João Mendes

O respeito conquista-se.

O respeito conquista-se. Saramago não é forçado a respeitar a Igreja, e a Igreja não é forçada a respeitar Saramago. Saramago não é forçado a respeitar a Bíblia e a Igreja não é forçada a respeitar os livros de Saramago. Vivemos numa sociedade livre, em que as opiniões são livres, e a expressão das mesmas também. Saramago pode ter a opinião religiosa que quiser e deve poder expressá-la, mesmo que a Igreja fique infeliz com a forma como a expressa. Da mesma forma que a Igreja pode expressar a opinião dela como quiser, mesmo que eu pessoalmente me aborreça com a forma como o faz.

Retrato de Miguel Duarte

???

Desde quando é que existe o direito ao respeito? E desde quando é que a bíblia é um livro para se levar a sério?

Aliás, algo que não percebo em ti é esse politicamente correcto (porque é isso mesmo), de quereres respeitar todas as religiões, mesmo quando elas não merecem minimamente o nosso respeito.

Se um representante da Igreja diz que a bíblia não é para ser levada à letra, ainda bem. Mas isso só dá razão aos comentários iniciais do Saramago. A bíblia é um "manual de maus costumes", pelo que o melhor é não levá-la à letra e não seguir as suas sugestões. É um livro sobre ética e a origem do mundo e mais umas quantas histórias cheias de imaginação, com milhares de anos que se tornou irrelevante devido ao passar do tempo. Se a Igreja quer o meu respeito, então, mais vale abandonar a bíblia como texto sagrado de uma vez por todas (aliás, só o facto de alguém acreditar que existem textos de origem divina é uma questão para eu não levar a sério essa pessoa).

E mais grave, existe muito gente que quer levar esse livro cheio de maus exemplos à letra (porque os tem, como tu já o admitiste), gerando por isso montes de abusos.

Retrato de Hugo Garcia

ódio

Bem,
não percebo de onde vem esse ódio.

A origem do mundo a bíblia são 2 ou 3 páginas. Achar que a biblia é isso ................

A igreja não é o vaticano. São as pessoas que regem a sua religião pelo catolicismo (ou outra).

Como sabes eu também tenho um certo ódio ao Rato Zinger por decisões ultrajantes que ele tomou. Mas daí a odiar as pessoas que se revêm na religião católica vai um mundo e meio.

Lembro-me que também houve uma altura em que lias a constituição portuguesa à letra e revoltavas-te.
Pelo que percebi, entretanto já te explicaram e hoje até concordas com os direitos fundamentais.

Talvez um livro que não traz leis, mas romances, cartas e histórias (umas parcialmente outras totalmente ficção) pudesse levar um bocadinho mais de tolerância.

Retrato de João Cardiga

"A igreja não é o vaticano."?!?!

"A igreja não é o vaticano."?!?!?

Não percebo, parece-me que é precisamento o contrário, a Igreja é o Vaticano (que é diferente de dizer que a religião é o Vaticano). Estou a ver que está em marcha uma revolução que só tem precedentes em Lutero :)

"Talvez um livro que não traz leis, mas romances, cartas e histórias (umas parcialmente outras totalmente ficção) pudesse levar um bocadinho mais de tolerância."

Epá o livro traz leis. Já ninguém as segue, mas quem lê o livro (por exemplo o exodo) aquilo é um autentico código civil. Pessoalmente eu acho é que a cultura dos crentes em muito ultrapassou a cultura da Igreja, mas acho que é altura dos crentes começarem a fazer algo para mudar essa imagem.

É que eu não sendo crente o que vejo é que os crentes acabam por alimentar involuntariamente uma máquina que já não lhes diz muito...

Retrato de Miguel Duarte

Ódio?

Hugo, tu tens que compreender uma coisa, pois acho que algum religioso te fez uma lavagem ao cérebro.

Criticar algo ou alguém não é odiar esse algo ou alguém, é meramente criticar. Uma religião está sujeita a ser criticada como qualquer outra actividade do homem. E é bom que assim seja, para que a sociedade evolua. Se não existisse quem se opusesse às religiões, ainda hoje estávamos com a inquisição à porta.

A bíblia tem muitos mais "pecados" que os extractos de ignorância científica e o João já aqui foi muito explícito. Mas se queres ver exemplos bastava procurares na Internet, por exemplo 1093 exemplos aqui ou 127 exemplos aqui. O Deus da bíblia é um deus vingativo e extremamente violento e que dá exemplos de comportamentos violentos. Basta pensares em exemplos como o dilúvio para chegares a essa conclusão.

A Igreja hoje em dia não é igual aos Talibã, porque pura e simplesmente foi precisamente alvo de críticas (e bem mais do que isso) ao longo de centenas de anos e aprendeu a dar essa volta linda ao seu texto sagrado que é, "o mesmo não é para ser levado à letra". Não me admiro nada que daqui a 20 anos a Igreja já aprove o uso do preservativo, o casamento de homossexuais ou qualquer outra coisa que hoje condene e que a evolução da sociedade vai tornando condenável a condenação da Igreja. É tudo uma questão de usar a imaginação e reinterpretar os seus textos sagrados (que, sejamos francos, dão para tudo).

"Talvez um livro que não traz leis, mas romances, cartas e histórias (umas parcialmente outras totalmente ficção) pudesse levar um bocadinho mais de tolerância."

Não estou a dizer para se queimar o livro, por isso não vejo onde está a minha falta de tolerância. Simplesmente afirmo que o livro é péssimo como exemplo ético e moral. O livro não é um livro de romances ou ficção científica (quer dizer, para mim é, e para ti parece que também), o livro é um livro "sagrado" para muita gente, pelo que supostamente o que lá está escrito deve ser levado a sério. Se fosse um mero livro de ficção científica era irrelevante.

"A igreja não é o vaticano. São as pessoas que regem a sua religião pelo catolicismo (ou outra)."

O Vaticano é um constituinte da Igreja. E a Igreja como instituição tem representantes. Quanto às pessoas, felizmente, uma grande parte delas já não liga nenhuma ao que os representantes da Igreja dizem.

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