Os meus pais contavam-me uma história, cuja veracidade nunca me lembrei de confirmar, em parte porque é bastante credível, em parte porque sendo sobre quem é, deve bem ser verdade. Nos áureos tempos do PREC, consta que o camarada Vasco enviava calçado abaixo de preço de custo para a URSS. Solidariedade operária, diziam eles. Imperialismo, dirá qualquer pessoa com mais que dois neurónios.
Parece contudo que o problema não afecta apenas o PCP.
Sobre a votação do acordo SWIFT, alguém me explica como é que um partido pode ser contra o sigilo bancário em Portugal, mas depois querer dar todos os nossos dados automaticamente aos Estados Unidos?
O CDS, único partido português que quer entregar a
os meus pagamentos de livros na Amazon ou as minhas transferências de dinheiro da minha conta portuguesa para a minha conta na Bélgica aos Estados Unidos, para que um burocrata qualquer vá ver se por acaso ando a tentar pôr bombas, comporta-se com os EUA como o PCP se comportava com a URSS.
Greece’s budget shortfall is now estimated at 12.7% of GDP last year, after Eurostat recently accused Athens of "deliberate misreporting" making its deficit appear smaller. The country nowadays is rated with BBB+, an alarming low rating for a Eurozone member state. Such an excessive deficit and rapidly rising debt could have spill-over effects for the whole euro zone.
Aloys Rigaut, LYMEC President, commented: 'Greece wrote the tragedy in which it is now and will need to get out of it by its own means. There is no way that we can mutualise at Eurozone level the price of the public finances repair. It would set a bad precedent for other Euro countries”. He then added: “We should however learn from this turmoil. One key element is to broaden the EU’s surveillance to macroeconomic imbalances. Despite repeated warnings, some imbalances were indeed not treated at a time when economic conditions were favourable and the crisis is now forcing a brutal adjustment: this is not tolerable. Euro area national economies are becoming more and more interdependent and we cannot accept any form of free riding'.
Alexander Plahr, LYMEC Vice President, stated: 'The Greek debacle is no reason to condemn the euro project, which is one of the best achievements of the European Union ever. The real lesson is that we have to watch much more carefully if a country is already ready for the Euro. Athens has under-reported its deficits for a decade, including the time in which it had to qualify for euro-zone membership, a fact Eurostat discovered only later. Greece's way out of the crisis is not to ask for European generosity but to get its public finances in order. This means cutting spending and vitalizing the economy by cutting red tape, tax cuts and deregulation, so that it actually can grow.'
http://www.lymec.org/index.php?name=News&file=article&sid=749
O Vaticano atacou o filme Avatar por apresentar a natureza não como uma criação, mas como uma entidade divinizada.
Há pobreza, guerras, violência, fome, terramotos.
Mas o Vaticano não encontra melhor para fazer do que atacar filmes.
Como sempre, um grande texto de Cardoso Rosas.
http://www.ifl.pt/main/Portals/0/Direita_Esquerda.pdf
Não posso deixar de notar que se trata de duas argumentações completamente díspares. Entre si e, também, daquilo que se tem lido da maior parte dos opositores ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A única coisa que as une é mesmo, sejamos honestos (e já sei que vou ser acusado de ser intolerante e politicamente correcto, ou politicamente incorrecto, ou seja lá qual for o chavão que está na moda por certas e determinadas bandas), o preconceito.
E voltamos à polissemia (e com isto vão dizer outra vez que se trata de "filosofia complexa"):
E espero que perceber por que motivo o digo não seja demasiado complexo. Isso será mau sinal.
De um ponto de vista ético, das escolhas que compõem o ethos ou carácter de um indivíduo, qualquer intromissão do Estado é nociva na medida em que é impossível um poder centralizado abarcar todos os conceitos de felicidade existentes, cujo número é, no limite, igual ao número de indivíduos que compõem uma dada sociedade. De facto, aqui a felicidade assume o sentido mais prosaico, ou seja, a felicidade aqui diz respeito ao gozo, ao prazer e à ausência de dor e isto de uma forma continuada. Sucede que nenhum Estado pode proporcionar aos seus cidadãos uma tal condição sem causar ainda mais infelicidade e sem impôr uma visão unitária de felicidade (aquilo que, como veremos, corresponde à felicidade em sentido moral). As variedade de conceitos de felicidade e de fontes de infelicidade são tão vastas que nenhuma soma de recursos poderia jamais cobrir os primeiros nem exaurir as segundas.
A única coisa que o Estado pode pois fazer em relação à felicidade individual é remover as barreiras impedem cada indivíduo de ser feliz, desde que a sua felicidade não colida com a de outrem. É justamente por isso que o liberalismo sempre pugnou por leis mais abstractas. Excesso de leis implica uma tentação de controlo da realidade que não é nunca possível: ela é dinâmica e caótica, tem uma ordem descentralizada que não se compadece das tentativas de controlo por parte de centros de poder.
Aplicando esta ideia ao caso dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o que foi feito foi aumentar o nível de abstracção da lei, removendo uma limitação que impedia alguns de seguirem o seu próprio conceito de felicidade individual; a remoção dessa limitação, por outro lado, não implica um ataque à liberdade de outros indivíduos (se no seu conceito de felicidade não couber casarem-se com pessoas do mesmo sexo, apenas têm de não se casar com pessoas do mesmo sexo).
É o segundo conceito que realmente é problemático; a felicidade moral não é já a felicidade como gozo de prazeres físicos ou materiais, mas a felicidade como bom ordenamento de uma sociedade. O que João Almeida defende, ao contrário do que as suas palavras poderiam fazer crer, é um conceito de felicidade moral, ou seja, uma moral substantiva; e pretende defendê-lo impondo-a a todos os demais indivíduos. Vou pôr de parte a constatação de que o Estado português é laico e que portanto as suas leis não dependem de qualquer religião. A argumentação absoluta e profundamente conservadora de que o casamento nasce da tradição cristã e católica (o que, ademais, é um perfeito disparate a todos os níveis, começando pelo histórico e antropológico) denuncia que o que João Almeida pretende é subjugar toda a sociedade portuguesa à felicidade moral católica.
Qualquer liberal deve saber que jamais a “tradição” é um bom argumento. O liberal não labora mentalmente nas ficções culturalistas e historicistas. O liberal, falando de política, olha sempre a “tradição” com desconfiança porque conhece-lhe as tonalidades totalitaristas. (e mesmo quando a refere de forma positiva, como Hayek faz, é para sublinhar a dinâmica humana, a nossa capacidade de adaptação e aprendizagem de melhores e mais justas regras). O liberal argumenta sempre na base do universal como composto de particulares, em que cada particular é tão digno quanto qualquer outro (e por isso mesmo as regras devem ser universais, abstractas e imparciais). O liberal jamais pega num particular (numa “tradição”, numa moral, numa ideia totalizante de sociedade) e o transforma num universal.
Contrariamente ao que João Almeida possa pensar é ele quem entende que o Estado deve zelar por um conceito de felicidade. Para terminar e ser absolutamente claro, se o Estado não pode tentar fazer-nos felizes, também não tem o direito de nos fazer infelizes. Muito menos em nome de um qualquer modelo concreto e previamente imposto do que é uma boa sociedade (como é o caso da moral católica).
Francisco Louçã: "A Direita é muito conservadora, mas o conservadorismo muda de dia para dia". Verdade, até os próprios conservadores não podem negá-lo.
Os conservadores são como as mulas: é preciso bater-lhes no lombo para andarem para a frente.
E depois acomodam-se,
e dá-se outra vergastada,
e andam mais um pouco.
PSD e CDS defendem um referendo pedido por 93 mil pessoas.
Mas foram contra um referendo pedido por 124 mil pessoas.
Será que um conservador é mais cidadão que um progressista?
A Direita acha que o casamento homossexual não é uma questão relevante.
A Direita acha que devíamos fazer um referendo sobre o assunto.
O que eu acho é que a Direita está a estrebuchar.
Helena Pinto, deputada do BE: "A Direita é mesmo incorrigível, é contra a liberdade individual".
E não é que é verdade?
Alguém diga ao CDS que 93 mil assinaturas reunidas à saída das missas não têm qualquer representatividade social.
De caminho, perguntem por que motivo só defendem o referendo agora que o casamento vai ser aprovado, e não o fizeram há, digamos, 6 anos, quando estavam no Governo.
Na Suíça os cidadãos demonstraram que sentem na pele um extremismo particularmente virulento.
Se o nazismo nos tivesse ensinado alguma coisa, os europeus não andariam a fazer ao fundamentalismo muçulmano o mesmo que Chamberlain e Daladier fizeram com os nazis.
"Um apaziguador é aquele que alimenta o crocodilo na esperança de ser o último a ser comido."
Churchill
Quando as mulheres forem chamadas de puta na rua por andarem de cabeça descoberta, a homossexualidade for criminalizada, o ateísmo proibido - aí que é que os pseudo-tolerantes vão fazer?
Diálogo ecuménico?
Depois da fronteira polaca tiver sido cruzada, já não há nada a fazer. Melhor tratar do assunto antes que a Checoslováquia fique sem os Sudetas.
Consideremos um caso hipotético.
João, António, José, Maria e Luísa são uma sociedade. João considera-se uma pessoa tolerante, e apoiou sempre os esforços de Maria e Luísa para terem um maior peso na sociedade por considerar que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens. Para além disso e mais recentemente apoiou também a igualdade de direitos cívicos de António, que é homossexual. José pertence a um clube violento, que em outras sociedades tem conseguido impôr leis e regimes opressores para todos, e em particular para pessoas como Maria, Luísa ou António.
As tensões que entre os cinco têm surgido devido às posições de José levaram a que Luísa propusesse que alguns direitos de José fossem limitados. Esta proposta está longe de ser tão opressora quanto as acções que os correlegionários de José levam a cabo noutras sociedades, mas ainda assim e pelo seu carácter claramente discriminatório é claramente problemática.
João confronta-se pois perante um problema:
- Se apoia a proposta, discrimina José
- Se vota contra a proposta, ameaça a liberdade de Maria e Luísa (o clube de José defende a inferioridade das mulheres), a vida de António (o clube de José mata homossexuais) e até põe em causa a sua própria situação, posto que em sociedades governadas pelo clube de José não há direito à liberdade de opinião.
Como deve João votar?
Os suíços preferiram discriminar José a ameaçar Maria, Luísa e António. E fizeram muito bem.
Em entrevista ao Metro o liberal britânico Andrew Duff afirma que "La personne qui sera nommée à ce poste devra avoir fait la preuve de son engagement en faveur de l’intégration politique de l’Europe."
Afirma, e bem, que entre o forte candidato trabalhista Blair e o conservador Junker, a escolha tem de ser óbvia: Junker é decididamente pró-europeu, e não faz qualquer sentido que a liderar a União esteja alguém com lealdades duvidosas. Alguém que participou no insulto concertado à "Velha Europa" só com muita falta de vergonha pode agora querer presidi-la.
Esperemos que os líderes europeus não caiam na armadilha de nomear o aliado da extrema-direita americana.
Entre os cinco principais partidos, o resultado pareceria evidente: o PS perdeu para todos. Todos. Mas também é verdade, e isso não pode ser esquecido, que há três meses atrás o PS tinha tido menos de um milhão de votos e uma percentagem de 26,5%. Nesses três meses recuperou para 36,5% e para mais de dois milhões. Não é obra pequena. Haverá algum mérito próprio nisto, mas houve claramente demérito também de dois dos seus oponentes. Já lá vamos.
Os dois grandes vencedores são os dois "extremos". O CDS aumenta entre Legislativas 175 mil votos, 3,2% e o grupo parlamentar cresce 75%, de 12 para 21. O BE aumenta 190 mil votos, sobe 3,5% e aumenta a sua representação em 100%, passando de 8 para 16 deputados. É obra para ambos os casos. O CDS conseguiu polarizar todo o descontentamento à Direita e o BE afirmou-se como o maior partido à Esquerda do PS.
E chegamos pois ao PSD e à CDU. Guardando o melhor para o fim, vamos à CDU. Subiu - 14 mil votos. Aumentou a percentagem - 0,32%. Aumentou a representação - mais um deputado. Mas isso é suficiente? Com um governo tão reformista, que afrontou tantos poderes instalados, pode a CDU crescer tão pouco? Pode, porque o eleitorado da CDU resiste mal à bipolarização, estando sujeito às oscilações cíclicas dos grandes partidos. Quando ainda há não muito tempo as sondagens davam empate técnico entre o centro-esquerda e o centro-direita, a CDU começou a descer. O toque soou e os eleitores que vacilam entre os comunistas e PS concentraram-se nos socialistas. Vencendo (porque venceu) a CDU perdeu.
E temos enfim o PSD. Proeza: em Junho ganharam com uma confortável margem sobre um PS vergastado pela Esquerda, atacado pela Direita, apupado pelos sindicatos, enxovalhado na comunicação social. Pouco mais de uma dúzia de semanas depois, perderam. Tal como a CDU tiveram mais percentagem (0,39%), mais deputados (6) e mais votos (6 mil). E tal como com a CDU, muito mais se lhe pediria. Como é que tamanha vitoriosa derrota foi possível? Muito simples a meu ver. A minha conclusão vai em jeito de recomendação.
Caros amigos, companheiros sociais-democratas: aprendam, de uma vez por todas. Já tiveram a derrota de 2005; e somaram 2009. E em ambas recorreram à mesma estratégia. As golpalhadas, as inventonas, as mentiras (de perna curta, felizmente), não pegam, não colam, desgostam e são punidas. Em todos os casos - e principalmente quando alguém se propõe fazer uma Política de Verdade.
Não resisto apenas a dizer que qualquer hipótese de serem implementadas as reformas duras mas absolutamente necessárias de que sectores como a Segurança Social necessitam está irremediavelmente perdida para os próximos dois anos. Vão ser dois anos a marcar passo, os poderes corporativos como os professores vão ter um passeio de glória infinita e só poderemos aspirar a algo diferente quando, depois das Presidenciais, a Direita (com a conivência da sempre pouco estrategicamente inteligente Esquerda) já segura da sua vitória derrubar o governo PS.