Ontem foi o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Para comemorar, fui fazer compras ao Jumbo. Já no caminho de volta, dei de caras com a Judite de Sousa, atrás do balcão. Não, a Judite não trabalha no quiosque do meu bairro, estava num daqueles cartazes que tanto por aí foram criticados.
Aquela conversa de que qualquer trabalho é honrado e que, portanto, não deviam menosprezar aqueles que ninguém quer fazer, é uma perfeita hipocrisia. É óbvio que ninguém quer acabar os seus dias a lavar escadas, e que, se estudar, é capaz de arranjar algo melhor.
Mas o engraçado é ser logo a Judite, uma jornalista. Fui para casa a pensar no assunto. É que os jornalistas são exactamente aquela classe em que estudos finalizados não significa de todo, um emprego no futuro.
Basta abrir este site, direccionado para as áreas de comunicação, design e marketing e ver a qualidade dos empregos propostos: Carga de Trabalhos. A maioria pede pessoal com os estudos terminados, mas depois… “toma lá dinheiro para comer e bom proveito”.
Ainda mais caricato é ver recém-licenciados em Comunicação Social a fazer, logo de seguida, um mestrado em Jornalismo. E eu pergunto-me “então se, com licenciatura vos dão o subsídio de almoço, será que com mestrado vos vão dar um ordenado normal?”.
No meu entender, o problema está na organização da classe. Enquanto os médicos se especializam e, goste-se ou não, têm uma ordem que os defende; enquanto para se ser Engenheiro, com direito a usar este título, tem de se fazer exames para entrar na Ordem; para os advogados, a mesma coisa (embora esta área também já esteja super-lotada…); para se ser jornalista faz-se um curso de Comunicação Social.
Se calhar nem curso deveria existir, apenas uma especialização em Jornalismo. Para se ser “Gestor de Cliente”, qualquer licenciado em Gestão, Economia, Engenharia, … pode sê-lo. Só que empregos na área comercial há muitos. E se quiserem mudar de profissão, outros empregos poderão tentar, porque a sua licenciatura não é em Gestão de Clientes.
Agora alguém que tenha tirado a licenciatura em Comunicação Social, não se especializou em nada. Pode fazer qualquer coisa dentro da área do jornalismo (político, desportivo, económico), mas não pode ser nada fora dali, especialmente se não tiver experiência nenhuma. Daí que, o normal, seria defender a classe, partindo de dentro.
Isto afecta-nos a todos, porque são os jornalistas o veículo que nos faz chegar a informação. Sim, também podemos aceder a ela através da internet, mas o que eu coloco num blogue ou num site, não tem de ser verdadeiro. Posso passar a “informação” que quiser, pois ninguém se vai preocupar em saber quais as minhas fontes. Não tenho de ser credível. Uma das funções de um jornalista é descodificar a informação
Será que um jornalista é “livre”, não tendo sequer um ordenado que lhe permita viver? E mais se poderá dizer, porque estes que entram nestas condições, muitas vezes vão substituir jornalistas mais velhos, naturalmente mais sabedores e, provavelmente, menos resignados quanto à qualidade exigida no seu trabalho.
É aqui que vem à baila a Liberdade de Imprensa. Neste sentido, existe ou não?
Não faltem às iniciativas que o Movimento Liberal Social irá organizar para o próximo Sábado:
- Hora: 14h
- Local: Jardim das Amoreiras (Mãe d'Água)
- Assunto: Concentração da Marcha Global da Marijuana. Contacto com a organização/intervenientes, troca de experiências, distribuição de folhetos, registo de possíveis membros/simpatizantes.
- Hora: 17h
- Local: Santa Apolónia (em frente à estação de comboios)
- Assunto: Encontro liberal para debater o tema Corrupção.
O Movimento Liberal Social vai estar a partir das 14h no Jardim das Amoreiras, partindo depois em direcção a Santa Apolónia.
A tua presença é importante nos acontecimentos do próximo Sábado. Não faltes!
Nota: Para desencontros ligar para o 966075978.
Nalguns blogues liberais campeia o oportunismo. Criticam tudo aquilo que o Estado faça e que supostamente possa render votos, mesmo que não saibam sugerir nenhuma forma melhor de o Estado atuar nas condições existentes, ou esquecendo situações análogas em que deixam de criticar o Estado.
Por exemplo, vai por aí um furor por o Estado pretender proibir o fumar em restaurantes, os quais são propriedade privada. Mas ninguém fala em que o Estado proibirá, da mesma forma, o fumar em lojas privadas, universidades privadas, elevadores de condomínios privados, centros comerciais privados, e montes de outros locais que também são propriedade privada. Tudo isso parece ser irrelevante, na lei do tabaco que está a ser discutida - só se faz barulho por causa da proibição de fumar em restaurantes. Porque só isso, pensa-se, pode render algum aplauso.
Alguns liberais blogosféricos portugueses estão muito abespinhados com a proposta de lei do tabaco, hoje em discussão na Assembleia da República, por ela proibir o fumar em restaurantes. Segundo esses liberais blogosféricos, o direito de propriedade do dono de um restaurante deve ser soberano, e ele deve ter o direito de decidir se no seu estabelecimento, sua propriedade privada, é ou não permitido fumar. Os potenciais clientes teriam sempre a possibilidade de escolher um outro estabelecimento alternativo.
O problema que eu vejo neste argumento são as suas possíveis extensões.
Vejamos: se o dono de um restaurante é soberano sobre aquilo que permite dentro do seu estabelecimento, o mesmo vale para o dono de uma mercearia ou de um hipermercado. E o mesmo vale em relação às pessoas que o dono de um estabelecimento admite servir nesse estabelecimento. Temos pois que, no limite deste raciocínio, seria legítimo que todos os donos de todas as mercearias e hipermercados se recusassem a aceitar um determinado indivíduo dento do seu estabelecimento. O dito indivíduo ficaria privado de poder comprar comida.
No limite deste raciocínio, a discriminação seria totalmente tolerada. Só em estabelecimentos estatais é que a discriminação seria proibida. De resto, qualquer proprietário de um estabelecimento privado poderia recusar-se a, por exemplo, aceitar um cigano dentro do seu estabelecimento. Se este procedimento se generalizasse, os ciganos ficariam impossibilitados de comerciar livremente com as outras pessoas.
Aquilo que eu estou a especular não é uma mera ficção: aquilo que hoje se verifica é precisamente que todos os restaurantes permitem fumar. Há pois uma discriminação factual contra as pessoas que, por quaisquer motivos de saúde ou outros, não possam suportar o fumo de tabaco. Essas pessoas encontram-se de facto, hoje em dia, impedidas de se servir de um restaurante. Se têm fome às 10 da noite, a sua única solução é esperar pela abertura das mercearias na manhã seguinte.
É para mim claro que este argumento de alguns liberais, defendendo o direito de propriedade acima de todos e de tudo, é inaceitável. Tem que se traçar, algures, um limite. Alguns estabelecimentos, em algumas situações, têm que ser entendidos como serviços públicos, que não podem discriminar, e que são obrigados a aceitar regras impostas pela comunidade - têm que ser entendidos como serviços públicos, muito embora sejam propriedade privada.
Não pode ser sempre somente o proprietário de um estabelecimento a decidir quais as regras que valem dentro desse estabelecimento.
Pesquisando um pouco podemos encontrar outras ocasiões em que a corporação procura defender os seus interesses à custa do interesse da sociedade.
Os Julgados de Paz foram criado para desentupir os tribunais com aqueles os processos que poderiam ser facil e rapidamente resolvidos sem a pesada burocracia mais adequada (ou nem isso) para casos em que não há acordo possível. Fonte: http://dn.sapo.pt/2005/05/28/sociedade/julgados_paz_crescimento.html
Seria isto um perigo para o negócio? Poderiam este sistema ameaçar a credbilidade da Justiça? A verdade é que a Ordem dos Advogados lá veio fazer (2005) a sua pressãozinha no sentido de acabar com tão inquietante medida...
http://dn.sapo.pt/2005/05/27/sociedade/advogados_exigem_a
_eliminacao_julgad.html
A pobreza é um conceito que tem de ser definido antes de ser analisado. A primeira decisão a tomar é entre indicadores absolutos ou relativos. Dependendo do tipo de indicador escolhido temos resultados diferentes. Com conhecimentos suficientes podemos construir ou seleccionar um indicador que seleccione uma tese que queremos provar.
Dos seguintes indicadores:
1. % da população com rendimentos inferiores ao salário mínimo do país
2. % da população que vive com rendimentos inferiores do que é considerado dentro desse grupo como o nível de pobreza (assuma este número está identificado)
3. % da população que vive com menos de metade do rendimento médio desse grupo
4. % da população que vive com menos de que é calculado como necessário para preencher as “necessidades básicas”
5. % da população que vive com menos de que é calculado como necessário para viver
Qual/Quais escolheria para:
a. Comparar a pobreza entre a população de diferentes países?
b. Comparar a evolução da pobreza dentro de um país?
c. Comparar o nível de aceitação de diferentes grupos em relação à pobreza alheia - Solidariedade ?
Se a preocupação for a pobreza, e não a igualdade, as escolhas devem ser relativamente simples.
a. Resposta 4. Assumindo que as “necessidades básicas” são iguais para todos os grupos em análise – Análise Ceteribus paribus com o indicador mais relevante em cada momento – Hoje um pobre não é necessariamente aquele que não tem o que comer. A higiene, entre outras coisas, é considerada fundamental hoje em dia, para dar um exemplo rápido.
b. Resposta 5. Das apresentadas, a única possibilidade de fazer uma análise ceteribus paribus
c. Rácio entre 4 e 5. Quanto maior o diferencial entre a pobreza absoluta e a pobreza identificada (nível de rendimentos inaceitável) maior a solidariedade.
Agora. Se quisesse mostrar que (i) os "Americanos" têm cada vez mais pobres ou que (ii) os Americanos têm mais pobres que os Portugueses quais seriam os indicadores a escolher?
Referências úteis:
World Bank.
WIKI.
Alec Holden do Reino Unido apostou 100 £ em como chegava aos 100 anos de vida, quando tinha 90 anos e ganhou hoje a sua aposta, indo receber 25.000 £.
Fonte: BBC News
A Liberal Internacional lançou um mini-jogo de computador sobre os Direitos Humanos.
O jogo é muito simples mas a ideia bastante boa.
Noticia o blogue Causa Nossa que o novo governo finlandês, formado na sequência das recentes eleições, é composto por 12 mulheres e 8 homens.
Acontece que quem forma este governo é um partido (ou coligação) de centro-direita. E que o número de mulheres não foi "arranjado" para ser igual ao de homens, como no caso espanhol.
Ou seja, neste caso não há uma decisão política no sentido de uma paridade mulheres-homens. Não se trata de política: trata-se mesmo de mérito. O governo finlandês tem mais mulheres do que homens, porque se encontram na sociedade e na política finlandesas mais mulheres do que homens com mérito.
A minha experiência pessoal diz-me que em Portugal a situação será idêntica. Se o governo português fosse escolhido na base do mérito e da capacidade de trabalho, a desproporção mulheres-homens seria (pelo menos) de 12-8.
Quero dar os meus Parabéns à Telma Monteiro e à Vanessa Fernandes!
A judoca consagrou-se bi-campeã no Campeonato da Europa (-52 Kg), sendo a primeira portuguesa a vencer por duas vezes consecutivas o campeonato. Não satisfeita, com apenas 21 anos, conseguiu no sábado passado o feito de vencer cinco combates sem ceder qualquer ponto às adversárias. Grande Telma!!! A Taça do Mundo de Vejen espera por ela e aqui o pessoal fica a torcer.
A Vanessa Fernandes conseguiu o primeiro lugar na modalidade de Triatlo, na segunda prova da Taça do Mundo, no Japão e comanda assim o ranking mundial.
Grandes exemplos, que penso deverem ser apoiados e divulgados.
Para nós que, como liberais, defendemos a iniciativa privada, as trapalhadas a que temos assistido na Universidade Independente, a que recentemente assistíramos na Universidade Moderna, e a que deveríamos assistir, em bom rigor, em algumas outras universidades privadas, não podem deixar de ser dolorosas.
Estas trapalhadas exibem uma iniciativa privada que, em larga medida, deu para o torto. A criação de universidades privadas em Portugal, em vez de servir para estimular a concorrência, a emulação e, em última análise, o mérito, parece ter-se tornado numa concorrência a ver qual delas consegue ser pior do que as restantes.
As universidades privadas em Portugal parecem ter servido para imitar, em iniciativa privada, aquilo que de pior o socialismo sabe fazer: nivelar por baixo.
Não sei porque é que isto aconteceu.
Por um lado, não é caso único: no setor da saúde privada passa-se, com alguma frequência, a mesma coisa. Alguns hospitais privados oferecem serviços que, embora irrepreensíveis do ponto de vista do alojamento, são clinicamente muitíssimo piores (e, portanto, mais arriscados para os clientes) do que os dos hospitais estatais.
Por outro lado, no setor do ensino não-superior privado passa-se genericamente o contrário: as escolas privadas, embora nem sempre sejam modelares, não dão, por outro lado, azo a escandaleiras e porcarias como aquelas a que temos assistido com algumas universidades privadas.
Carlos Amaral Dias, professor universitário e psicólogo, aderiu ao Movimento Liberal Social. O pai da conhecida deputada do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias preferiu associar-se a um movimento político mais à direita, mas inovador nas propostas que faz, tanto em termos económicos como sociais - os liberais sociais apostam no financiamento privado do sistema de saúde, mas defendem também a rápida legalização da eutanásia. Joana Amaral Dias, sem comentar a adesão do pai, lá confessou à SÁBADO algum apreço pelo movimento: "É interessante porque, ao contrário da direita tradicional, compromete o liberalismo económicos com o liberalismo social e de costumes."
Revista Sábado, 12-04-2007, pág 28, com fotografia incluída de pai e filha.
De onde foi retirada a frase que citei acima? Um pequeno desafio. Ficou-me na memória pois de uma forma muito sucinta explica aquilo que é necessário fazermos pelo mundo no presente (e no futuro provavelmente também). ;)
E já agora, como pista, uma citação Heródoto (tradução livre minha a partir do Inglês):
Hidarnes, o conselho que nos dás mostra um conhecimento imperfeito da situação. Conheces metade da questão, mas não conheces a outra metade. Tu sabes muito bem o que é a escravatura, mas nunca experimentaste a liberdade, pelo que desconheces se o seu sabor é doce ou amargo. Se alguma vez a tivesses experimentado, aconselhar-nos-ias a lutarmos não apenas com flechas, mas também com machados. (Heródoto, VII: 133)
Caro AAA,
Tenho curiosidade.
Tem sido um dos primeiros a apontar o blog do MLS como contraproducente para a causa do Liberalismo em Portugal. Quantos posts já feitos sobre o assunto?
Os posts de Pedro Arroja, no blog Blasfémias, o blog liberal mais visto em Portugal, não lhe merece nenhuma preocupação?
As posições de Pedro Arroja, fazem parte das que têm dificultado mais a disseminação das ideias liberais neste país. São as que tornam confusas as posições da direita conservadora, também defensora da propriedade privada, e as do liberalismo. São estas posições que justificam que existem muitos Portugueses que pensam que o CDS é um partido liberal. São estas posições que fazem muitos portugueses pensar que os liberais preferem ditaduras com respeito à propriedade privada a democracias como a Portuguesa.
Não discuto que, dentro do que pensa seja a melhor defesa do seu liberalismo publique muitos comentários sobre o MLS, com base nas posições "sociais" ou "fracturantes" do movimento e sobre as suas implicações. Ficava-lhe bem pelo menos parecer, pelo menos também tão distante das posições de PA.
Declaração de intenções:
(1) Não sou membro activo do MLS embora partilhe das ideias do MLS tais quais escritas na sua carta de princípios.
(2) Não confundo o Blasfémias com Pedro Arroja. O Blasfémias continua a ser o meu Blog favorito, seguido pelo insurgente.
(3) Se escrevo este post é pela importância que dou aos principais Blogs conotados como liberais como veículo de disseminação dos princípios liberais.
PS: Pedro Arroja representa para mim os piores inimigos do liberalismo e da liberdade. São os que dão argumentos a todos os Socialistas de velha e nova geração, que assustam as pessoas com papões autoritários e afins. Se eu tivesse 1 Euro por cada conversa/discussão política em que os meus interlocutores associavam o liberalismo a autoritarismo com defesa da propriedade privada...