Política Internacional

Resumo da semana

Foi sem duvida uma semana cheia! Mas começando pelo que de realmente importante aconteceu nesta semana, gostaria de destacar:

1) A aprovação final da alteração à lei do casamento civil no parlamento: embora não seja surpreendente é mais um marco. Falta apenas a ratificação pelo Presidente da República

2) A rejeição por parte do Parlamento Europeu do acordo SWIFT: infelizmente não fez eco nos jornais portugueses, mas numa semana marcada pela palavra “Liberdade” ninguém defendeu mais a nossa liberdade esta semana que o Parlamento Europeu. E teve o condão de ser um verdadeiro “murro no estômago” dos eurocépticos. Parabéns a todos nossos eurodeputados que votaram contra, à excepção dos “gelatinosos” eurodeputados do CDS que votaram a favor desse acordo (“Shame on you”, é o mínimo que me vem à cabeça…).

Posto isto, esta semana, em Portugal, também foi marcada (e ainda está a ser marcada) pelo caso “escutasgate”. Gostaria desde já dizer que considero este caso muito grave, e por diversos motivos:

a) Um dos direitos consagrados na nossa constituição é o seguinte: “4. O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas.”. Todo este caso, a ser verdade é um verdadeiro atentado a este ponto da nossa constituição.

b) Posto isto, gostava de frisar o seguinte: não é à toa que tanto o poder económico, como o poder politico aparecem neste ponto. O ataque à liberdade de imprensa vem destes dois poderes e o que este caso acabou por colocar a nu foi mesmo isso. Embora o que despoletou este ponto foi sem duvida o poder politico, a verdade é que o executante (ou suposto executante) foi o poder económico. E se se quer defender realmente a liberdade de imprensa, e por “arrasto” a liberdade de informação e expressão, são ambos que deveriam ser questionados. O que a PT tinha intenções de fazer era grave independentemente de ter sido motivado pelo Governo ou por iniciativa própria. Caso tivesse sido o Belmiro de Azevedo, em vez de Sócrates, a tentar “silenciar” desta forma a TVI porque esta o estava constantemente a atacar, seria igualmente grave.

c) Os jornalistas, também são eles próprios, culpados desta situação e deveriam efectuar uma análise profunda sobre todo este caso. Instalou-se “uma mentalidade de assobiar para o lado” que ajudou, de sobremaneira, a criar um clima de impunidade (e que beneficia normalmente quem age dessa maneira) sempre que exista pressões. Exemplos como os que acontecem no futebol (com alguns jornalistas a serem barrados de entrar, ou de trabalhar) ou na Madeira são apenas alguns entre muitos onde os próprios jornalistas poderiam fazer muito mais para mudar a situação actual.

(Nota final: artigo escrito ontem, antes de ter lido o SOL)

MLS congratula-se com rejeição do acordo SWIFT

Lisboa, 11 de Fevereiro de 2010 - O Parlamento Europeu (PE) recusou hoje a ratificação do Acordo SWIFT entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA). Este acordo, negociado pela Comissão Europeia, previa a entrega aos EUA de todos os dados sobre transferências bancárias usando o sistema SWIFT efectuadas no interior da União.

O Movimento Liberal Social (MLS) congratula-se com esta decisão do PE uma vez que o acordo SWIFT, no entender do MLS e da bancada liberal no PE, violaria gravosamente a privacidade financeira dos cidadãos da UE e potencialmente, constituiria uma forma de espionagem dos EUA sobre as empresas e cidadãos da UE.

Note-se que o PE esteve sob uma enorme pressão, exercida pelos EUA, para que o Acordo SWIFT fosse ratificado, a pretexto de que ele seria essencial para ajudar os EUA a combater o terrorismo. Felizmente, essa pressão foi rejeitada por uma maioria dos eurodeputados, incluindo os representantes do Partido Liberal Europeu.

Esta decisão vem demonstrar a importância acrescida do órgão democrático por excelência da União Europeia após o Tratado de Lisboa, traduzindo este voto a primeira vez que utiliza os novos poderes de que dispõe para rejeitar um acordo internacional.

Lamentamos contudo, que os eurodeputados do CDS-PP, Nuno Melo e Diogo Feio tenham sido os únicos representantes portugueses a desprezar os direitos cívicos dos cidadãos portugueses e a votar favoravelmente o acordo SWIFT, especialmente quando, este é um partido que em Portugal assume uma posição contra o levantamento do sigilo bancário.

Nota: Em anexo envia-se documento em português, explicativo das razões para a rejeição do acordo SWIFT, produzido por eurodeputados de vários grupos parlamentares.

Comunicado de Imprensa - Copenhaga 2009

Lisboa, 21 de Dezembro de 2009 - O MLS – Movimento Liberal Social recebeu com desagrado as notícias do resultado da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009 em Copenhaga, Dinamarca.

O MLS considera que a redução do consumo energético e da dependência de energias fósseis, que o recurso a fontes energéticas renováveis e que o aumento do coberto florestal do planeta são em si mesmos objectivos louváveis, que os Estados devem prosseguir independentemente da existência de alterações climáticas.

Em todo o caso, o MLS defende, com base nos dados científicos disponíveis, que as alterações climáticas são uma ameaça real com necessidade de acções preventivas urgentes, e lamenta que os Estados tenham sido incapazes de alcançar um acordo satisfatório.

O resultado final carece de uma série de componentes que consideramos essenciais, a saber:

Vínculo Jurídico: O documento final não tem qualquer vínculo jurídico, sendo que nenhum Estado é portanto obrigado a cumprir qualquer meta de redução de emissões;

Metas: As metas de redução de emissões de gases com efeito estufa são do nosso ponto de vista pouco ambiciosas, tendo em conta fundamentalmente apenas interesses económicos de curto prazo e não tendo em vista os pesados custos a longo prazo que as alterações climáticas previstas trarão para a humanidade como um todo, quer a nível humano, quer a nível económico;

Países em desenvolvimento: Apesar de promessas de quantias significativas dedicadas aos países mais pobres, o MLS entende que não foi dada devida atenção a estes Estados, sendo estes os que mais sofrem com as alterações climáticas e os que menos meios têm para as combater. Os sistemas de licenças de emissões de CO2 propostos não têm em conta a situação tecnológica e financeira real destes países, sendo que em pouco ou nada alteram os padrões de consumo dos países mais desenvolvidos. É de salientar igualmente as consequências fatais da subida do nível do mar sobre os Estados insulares que em muitos casos desaparecerão completamente.

Assim, o MLS reitera a necessidade de se criarem mecanismos de cooperação internacional mais ambiciosos para o combate à destruição do eco-sistema terrestre que visem perspectivas de médio e sobretudo longo prazo, sendo que a Organização das Nações Unidas deve ter um papel fundamental a cumprir na execução e policiamento de tais objectivos.

Comunicado de Imprensa - Copenhaga 2009

Lisboa, 21 de Dezembro de 2009 - O MLS – Movimento Liberal Social recebeu com desagrado as notícias do resultado da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009 em Copenhaga, Dinamarca.

O MLS considera que a redução do consumo energético e da dependência de energias fósseis, que o recurso a fontes energéticas renováveis e que o aumento do coberto florestal do planeta são em si mesmos objectivos louváveis, que os Estados devem prosseguir independentemente da existência de alterações climáticas.

Em todo o caso, o MLS defende, com base nos dados científicos disponíveis, que as alterações climáticas são uma ameaça real com necessidade de acções preventivas urgentes, e lamenta que os Estados tenham sido incapazes de alcançar um acordo satisfatório.

O resultado final carece de uma série de componentes que consideramos essenciais, a saber:

Vínculo Jurídico: O documento final não tem qualquer vínculo jurídico, sendo que nenhum Estado é portanto obrigado a cumprir qualquer meta de redução de emissões;

Metas: As metas de redução de emissões de gases com efeito estufa são do nosso ponto de vista pouco ambiciosas, tendo em conta fundamentalmente apenas interesses económicos de curto prazo e não tendo em vista os pesados custos a longo prazo que as alterações climáticas previstas trarão para a humanidade como um todo, quer a nível humano, quer a nível económico;

Países em desenvolvimento: Apesar de promessas de quantias significativas dedicadas aos países mais pobres, o MLS entende que não foi dada devida atenção a estes Estados, sendo estes os que mais sofrem com as alterações climáticas e os que menos meios têm para as combater. Os sistemas de licenças de emissões de CO2 propostos não têm em conta a situação tecnológica e financeira real destes países, sendo que em pouco ou nada alteram os padrões de consumo dos países mais desenvolvidos. É de salientar igualmente as consequências fatais da subida do nível do mar sobre os Estados insulares que em muitos casos desaparecerão completamente.

Assim, o MLS reitera a necessidade de se criarem mecanismos de cooperação internacional mais ambiciosos para o combate à destruição do eco-sistema terrestre que visem perspectivas de médio e sobretudo longo prazo, sendo que a Organização das Nações Unidas deve ter um papel fundamental a cumprir na execução e policiamento de tais objectivos.

O peditório

Espero bem que o governo português não dê para este peditório. É que, o caminho para o inferno está juncado de boas intenções. E nós já vimos este filme muitas vezes.

20 Anos da queda do muro de Berlim

No dia em que se celebram os 20 anos da queda do Muro de Berlim, deixo-vos aqui um magnifico vídeo ao som dos U2.


Berlim

Faz quase 20 anos que me sentei a admirar o que via na televisão. Nessa altura o mundo era diferente, totalmente diferente. Não só o mundo à minha volta como o mundo dentro de mim.

Naquele momento em que via o muro a ser derrubado o meu primeiro pensamento não foi para com os berlinenses em si, mas para parte da minha familia que residia na Alemanha. Como estão? Estarão contentes? Como estão a sentir esse momento? Nessa altura a comunicação ainda não era instantanea como agora e aquelas imagens juntava-nos, engolia distancia e eu sentia uma felicidade por algo de bom se passar num país onde residiam familiares meus.

Apenas depois me apercebi de que à minha frente se estava a fazer história. Julgo que foi este o primeiro momento da minha vida que apreendi a noção de que a história se faz com pessoas e não com heróis e vilões.

Na visão de um miudo de 10 anos, um muro é um muro e serve para separar, naquele caso pessoas. Algo que para mim não fazia nenhum sentido. Nessa altura não entendia comunismos e capitalismo, assim como outros "ismos". Eles ainda não tinham entrado no meu mundo. No meu mundo, a unica coisa que entendia é que existiam pessoas que queriam ir do sitio A para o sitio B e que outras pessoas não queriam deixar e por isso tinham construido um muro.

Assim quando vi aquele muro a cair, foi essa alegria que tive. A alegria de saber que as pessoas agora já eram livres de passar, que um muro, "O" muro, tinha finalmente sido derrubado.

TAL

É muito significativo, e é em minha opinião uma excelente notícia, que se comece a falar a sério de uma possível fusão (não apenas aliança) entre as três companhias aéreas do Brasil (TAM, uma empresa privada que, embora dominante no Brasil, não é do Estado), de Portugal (TAP) e de Angola (TAAG). (Em minha opinião deveria acrescentar-se a estas três a TACV de Cabo Verde.)

Isto é significativo porque mostra que as elites portuguesas estão progressivamente a interiorizar a ideia, bem verdadeira, de que Portugal não é verdadeiramente e unicamente um país europeu, e de que o futuro de Portugal estará muito mais na América Latina e nos países lusófonos de África do que na Europa. As elites portuguesas sempre tiveram a pretensão de comparar Portugal à França ou à Inglaterra, sempre viram na Europa o futuro e o objetivo de Portugal. Mas esse futuro é largamente ilusório, inalcançável. Portugal é, pela sua geografia, irremediavelmente o fim da Europa. E, pela sua pobreza relativa e pela mentalidade muito conservadora do seu povo, encontra-se muito mais próximo da América Latina do que da Europa Central. É bom que as eleites portuguesas reconheçam esse facto e comecem a apostar muito mais na América Latina e nos países africanos lusófonos (e também, a mais longo prazo, no Magrebe, isto é, nos países árabes a ocidente do Egito) como o espaço natural de expansão, realização e intercâmbio da economia portuguesa.

Isto pode começar pelas companhias aéreas. Uns futuros Transportes Aéreos Lusófonos (TAL) ou, talvez melhor, Transcontinental Airlines (TA), farão uma companhia aérea - que eu espero venha a ser totalmente privada, deixando de ser um permanente encargo e preocupação para o Estado português - muito forte e muito versátil. E bem assente em países onde o transporte aéreo mais futuro tem.

É uma coisa que me custa a entender

O Irão tem no seu território urânio. (Portugal também tem.) Mas o urânio natural não serve para grande coisa. Para ter utilidade para centrais nucleares o urânio precisa de ser enriquecido. O Irão pretender aprender a enriquecer urânio - para poder utilizar autonomamente o urânio que possui - e está a trabalhar nesse sentido.

As potências que mandam no mundo não querem que o Irão faça isso. Eu não consigo compreender por quê. É uma coisa que, de facto, me custa a entrar na cabeça.

Enriquecer urânio é uma tecnologia industrial, como qualquer outra. Qualquer país deve ser livre de procurar desenvolver, de acordo com as suas capacidades, as tecnologias industriais que quiser. Ao fim e ao cabo, qualquer país subdesenvolvido deve ser livre de se desenvolver, não é?

A China não sabia produzir automóveis, mas está a aprender e produz automóveis cada vez melhores. E ninguém procura impedir a China de o fazer, ninguém procura impedir a China de tentar descobrir como se constroem bons automóveis. A China tem o direito de aprender a construir automóveis, tal como qualquer outro país tem esse direito. A construção de automóveis não é um monopólio de certos países - todos os países têm o direito de tentar fabricar automóveis.

Para mim, o enriquecimento de urânio é exatamente a mesma coisa - é algo que todos os países têm o direito de tentar aprender a fazer. Não é, não pode ser, um monopólio de apenas alguns países. O urânio enriquecido é um bem útil - como um automóvel - e todos os países têm o direito de tentar aprender a produzir os bens úteis de que pretendem dispôr.

Ninguém tem o direito de tentar impedir o Irão de enriquecer urânio.

Entretanto a Leste...

... o presidente da Rússia, de visita à China, combinou que a empresa estatal russa Gazprom passará a fornecer à China grandes quantidades de gás natural. Trata-se de um desenvolvimento natural, porquanto a China necessita fortemente de energia e porquanto muito do gás natural russo provem da parte oriental do seu território (i.e. da Sibéria).

Só que este conveniente e lógico arranjo significa que, inevitavelmente, a Rússia terá, a prazo, menos capacidade de fornecer gás natural à Europa. Os cortes de fornecimento de gás russo no Inverno não serão apenas causados por disputas políticas com a Ucrânia ou outros países - eles serão causados por uma escassez absoluta de gás. E os habitantes da Europa Central terão que se habituar a passar um bocado de frio no Inverno - tal como já passaram no último Inverno.

A Europa torna-se crescentemente irrelevante. A Rússia não é obrigada a vender o seu gás natural à Europa - pode perfeitamente vendê-lo à China ou à Coreia e, com alguma dificuldade mais, ao Japão.

É bom que a Europa comece a ter consciência da sua crescente irrelevância - tal como os EUA já a estão a ter também.

E na Alemanha - Liberais a Caminho do Poder

Na Alemanha venceu a CDU (à volta de 34% dos votos), mas com resultados que em conjunto com o FDP (que obteve quase 15% dos votos), é quase certo o surgimento de uma coligação com os liberais do FDP.

Economicamente falando a Alemanha vai virar à direita, arrastando certamente consigo a Europa.

Terrorismo e Bombas

Segundo este filme da BBC, os terroristas aprenderam a esconder bombas dentro do próprio corpo, tornando-as indetectáveis às actuais medidas de segurança nos aeroportos.

A mim parece-me que a não ser que façam endoscopias a todos os passageiros, não há mesmo nada a fazer. Finalmente chegámos a uma situação em que não há medida louca que chegue para evitar um potencial bombista.

Será que finalmente vão ver o ridículo do exagero das actuais medidas de segurança e dedicar-se a melhorar os serviços secretos e apanhar potenciais terroristas desta forma?

Um louvor a Berlusconi

Como é natural, eu não sou um apreciador, muito pelo contrário, do estilo, nem da forma nem do conteúdo, do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.

Mas ontem ele teve uma atitude que me merece um fervoroso aplauso: declarou que a Itália retirará as (poucas) tropas que tem no Afeganistão o mais cedo possível; que tenciona acelerar o processo de formação que essas tropas estão a fornecer a soldados afegãos, com o fim de as poder trazer de volta para Itália o quanto antes.

Foi muito corajoso Silvio Berlusconi, e tem toda a razão do seu lado. Ele quebrou o consenso podre, dentro da NATO, de que é preciso a todo o custo vencer a guerra no Afeganistão, e de que não se pode pensar em retirada. Ele quebrou a barreira e vai (provavelmente) ter que enfrentar duras críticas dos seus colegas da Aliança Atlântica. Assim tenha a coragem para vencer essa batalha e ir àvante com a sua decisão.

(É verdade que Berlusconi só tomou esta decisão após seis soldados italianos terem sido mortos num ataque à bomba realizado pelos patriotas afegãos. Mas mais vale tomar uma decisão correta sob a perspetiva dos mortos e da derrota, do que não a tomar nunca.)

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