(1332 Tunis, Tunísia – 1406 Cairo, Egipto)
Ibn Khaldun, que recebeu uma educação alargada em árabe, interpretação do Corão, jurisprudência e poesia, serviu diversos governantes árabes em Tunis, Fez, Granada, Damasco e Cairo, como membro da corte, jurista e estadista. Como conselheiro político com uma panorâmica excepcionalmente abrangente dos diferentes países muçulmanos, ele desenvolveu capacidades extraordinárias de observação e análise dos desenvolvimentos económicos, políticos e sociais da sua época. O seu trabalho foi redescoberto a partir do início do século XIX por académicos árabes e europeus. Enquanto muitos árabes o vêem como fonte inspiradora de uma nova definição da sua identidade e das suas relações com o Ocidente, os europeus tendem a encarar Ibn Khaldun como um brilhante representante das tradições racionalistas islâmicas e um antecessor da teoria económica e sociológica.
Alguns estudiosos dizem que Ibn Khaldun é o verdadeiro ‘pai da economia’ ou ‘pai da ciência social moderna’ e alegam que as ideias dele foram mais ou menos reinventadas quatro séculos mais tarde por pensadores como Adam Smith ou David Ricardo, e mais tarde por Karl Marx ou John Maynard Keynes. Independentemente dessa difícil comparação, a profundidade e força analítica dos seus trabalhos é claramente impressionante. Em ‘Muqaddimah’, uma espécie de prólogo aos seus posteriores tratados historiográficos, Ibn Khaldun desenvolve uma teoria de trabalho onde inclui ideias muito interessantes acerca da divisão do trabalho, uma teoria de impostos e onde cobre muitas outras áreas que são vistas como bastante ‘modernas’.
O que torna Ibn Khaldun particularmente interessante para os liberais actualmente é a sua defesa empenhada de uma economia livre e de uma liberdade de escolha como as melhores bases para um país estável, forte pela coesão social e não apenas pelo poder político. Ele também inspira muitos liberais que, no mundo muçulmano, sofrem sob as restrições políticas e económicas que aí prevalecem.
Bibliografia:
- Rosenthal, F. – The Muqaddimah: An Introduction to History. Tradução em Inglês anotada, Nova Iorque, Pantheon, 1958
Links:
Texto original de Wolfgang Sachsenröder, traduzido por Luís Humberto Teixeira