John Atkinson Hobson

(1858 Derby, Inglaterra - 1940 Londres, Inglaterra)

James HobsonO pensamento político de J.A. Hobson foi moldado pelas condições economico-sociais vividas na Inglaterra na segunda metade do séc. XIX, época durante a qual a doutrina do liberalismo laissez-faire se mostrou mal equipada para confrontar os desafios apresentados pela pobreza, más condições de habitação e saúde, condições de trabalho e educação. Hobson foi um dos líderes – juntamente com T.H. Green e L.T. Hobhouse – do chamado Novo Liberalismo ou Liberalismo Social. Hobson, um jornalista prolífico, participante activo em campanhas políticas e teórico político, foi membro de sociedades de ética progressista como a “Rainbow Circle” e “South Place Ethical Society”.

Hobson comparou as dinâmicas da sociedade às dinâmicas de um organismo biológico e levou o conceito “organismo social” mais longe que qualquer outro pensador seu contemporâneo. Hobson tornou a perspectiva “orgânica” o epicentro da sua filosofia social. Também incorporou o saber das ciências naturais na sua análise das relações sociais sem adoptar as ameaças do autoritarismo normalmente associadas às teorias sociais. Para si, Sociedade era “correctamente designada como um organismo moral e racional no sentido de que possui uma vida metafísica comum, um carácter e razão que não se resume à vida, carácter e razão dos índividuos que a constituem”. (Hobson, A Crise do Liberalismo, 1909).

Hobson desenvolveu um novo ponto de convergência político e intelectual, evidente em três àreas: primeiro, advogou um papel de maior intervenção por parte do Estado que os liberais do laissez-faire. Segundo, criticou os liberais clássicos e também os socialistas pelas linhas rígidas com que dividiram os conceitos de individualismo e colectivismo. Terceiro, enquanto rejeitava uma visão atomística da sociedade e advogava a conciliação entre propriedade pública e propriedade individual, Hobson opunha-se ao projecto socialista para o desenvolvimento de uma economia estatizada. Na sua linha de pensamento o autor via na natureza humana a combinação entre características colectivistas e individualistas e neste sentido procurou interlaçar o individualismo com o colectivismo na sociedade.

A sua abordagem era significativamente original sendo que Hobson introduziu uma mudança de perspectiva no pensamento liberal. No seu ínicio o liberlismo difundia a ideia de que o indivíduo deveria endossar o poder ao Estado no sentido de este salvaguardar as liberdades pessoais. O beneficiário e razão de ser do Estado era o indivíduo, sendo o Estado um meio para atingir um determinado fim. Hobson modificou essa perspectiva defendendo que a sociedade, sendo um organismo social, tinha um interesse no desenvolvimento individual e no bem estar de cada um dos seus membros no sentido de permanecer saudável. Por outras palavras, Hobson via o indivíduo como um meio para atingir um determinado fim, neste caso uma sociedade saudável favorável ao progresso social tal como um organismo biológico que é dependente de células saudáveis. Nesta perspectiva, a sociedade era o benificiário e razão de ser do maior desenvolvimento possível e liberdade de cada um dos seus membros individuais. Apesar de contrastar vincadamente com a crença central do liberalismo de que o indivíduo não deve ser encarado como um meio para um fim mas um fim em si próprio, esta perpectiva permitiu a Hobson defender simultâneamente as liberdades individuais e reformas por parte de um Estado Providência fora da estrutura ideológica do socialismo e do liberalismo atomístico – evitando assim as respectivas infracções de cada um destes movimentos às liberdades pessoais/ abstendo-se da responsabilidade comum.

No campo da teoria económica, Hobson cruzava economia com uma abordagem qualitativa e humanista que permitiu perpectivar utilidade e racionalidade e ainda economia na área do estado previdência. Na sua obra “Imperialism: A Study” (1902), o autor apresenta a distribuição desproporcional da riqueza como sendo um factor que conduzia a um excesso de poupança por parte das classes mais ricas e um sub consumo por parte das classes mais pobres, e também defende que os interesses das elites são a causa do imperialismo.

Apesar de se poderem apontar algumas deficiências à sua análise sobre o imperialismo, em se concentra numa dimensão económica e numa visão eurocêntrica, deixando sem resposta questões como técnicas para medir o bem estar social (através de critérios subjectivos ou objectivos, ou através de resultados quantificáveis?) assim como aparentemente deixando por vezes valores comunitários prevalecer sobre liberdades individuais, Hobson contribuiu para o pensamento liberal ao deixar de se concentrar exclusivamente no indivíduo e preocupando-se também com reformas sociais. Vendo a reforma social tanto como um processo ético, como um processo político-social, Hobson contribuiu significativamente para o entendimento de “reforma” e “progresso social” transitando de uma visão quantitativa e limitada para uma percepção compreensiva e verdadeiramente humanista.

Hobson, em conjunto com outros pensadores liberais progressistas, foi determinante para a base ideológica do Estado Providência na Grã-Bretanha e também para o descrédito do imperialismo. Finalmente, a leitura das obras de Hobson assim como de outros autores do Novo Liberalismo previne a adopção dos seguintes mitos: primeiro, o mito de que o Estado Providência surgiu como uma reacção não planeada e não como o resultado de teorias políticas. Segundo, o mito de que as mentes britânicas detestam teorias, uma vez que o oposto pode ser amplamente observado nos autores do liberalismo social.

Bibliografia

  • J.A. Hobson - Imperialism: A Study, London, 1902
  • J.A. Hobson - The Crisis of Liberalism: New Issues of Democracy, London, 1909
  • J.A. Hobson - Work and Wealth, New York, 1914
  • Freeden, M.: - “J.A. Hobson: A Reader”, Unwin Hyman, London, 1988
  • Progressive Review - of all the intellectual periodicals of the time the closest to the core of new liberal thinkers