(Séc. VI a.c.)
Quem disse que o Liberalismo é apenas mais uma palavra para euro-centrismo? Há boas razões para acreditar que o primeiro liberal de todos os tempos era Chinês: o filósofo Taoísta Lao Tzu. O seu trabalho, que dá pelo nome de Tao Te Ching, é um dos grandes clássicos da literatura chinesa. No seu livro Lao Tzu desenvolve uma cosmologia onde a harmonia dos dois opostos ("ying“ and "yang“) é apresentada.
Hoje esta cosmologia atrai pessoas esotéricas e não liberais racionalistas. Assim, é geralmente ignorado que esta cosmologia pluralista leva a uma filosofia política igualmente pluralista com tons bastante liberais. Lao Tzu era muito céptico relativamente ao poder governamental e àqueles que o exerciam. Afirmava que não é a força brutal mas a liberdade que assegura a paz. "As pessoas são difíceis de manter na ordem, por causa daqueles acima que interferem" ou "eu tiro a água do poço, eu cultivo o campo para ter comida, mas que uso tenho eu para o poder do imperador!"
O que Adam Smith e outros apenas descobriram dois milénios mais tarde, Lao Tzu já sabia: o intervencionismo atrofia a economia: "Quanto mais proibições existem, mais pobres as pessoas serão". E claro, ele sabia que impostos elevados produzem miséria e colocam em perigo a prosperidade: "As pessoas passam fome porque aqueles acima deles comem comem demasiado grão de imposto. Essa é a única razão para eles morrerem à fome". Tudo isto continua a ser tão verdade hoje como era há 2500 anos atrás.
Bibliografia
- Lao Tsu - Tao Te Ching, transl. Gia-Fu Feng, New York 1997
- Arthur Waley - Way and Its Power a Study of the Tao Te Ching and Its Place in Chinese Thought, New York 1998 (originalmente publicado em 1934)