Vanuatu é a nação mais feliz à face da Terra. As variáveis que assim o defendem são: os níveis de consumo de recursos, a esperança média de vida e a felicidade. Tudo isto soa estranho e extraordinário, particularmente a ideia de que é possível medir "felicidade", ainda assim algo nos diz que no fundo deste estudo haverá algo de interessante e ilustrativo.
Vanuatu é uma perdida ilha-nação no sul do Pacífico, um paraíso fiscal sem petróleo que viu o Português Pedro Fernandes de Queirós como o primeiro Europeu a contactar a ilha em 1605.
Antes de submergir completamente nos argumentos por detrás da notícia o raciocínio crítico relaxa por momentos e os impulsos intuitivos assumem controlo. A nível pessoal vêm à cabeça as fantasias de viver numa ilha semi-deserta. Écrans incessantes de séries populares como "Lost", "Temptation Island", "Survivor", "o Náufrago" com o Tom Hanks (!), o bombardeamento de brochuras de férias em todas as formas, prometendo evasão, pequenas ondas transparentes, praias de areia fina misturadas com vestidos e sorrisos exóticos. Voltam à memória os clássicos infantis do Robinson Crusoe, da ilha do Tesouro, Peter Pan e Jurassic Park (!) que de forma mais ou menos permanente ficaram engravados na nossa narrativa individual e collectiva. Existirá algum "urban dweller" do século 21 que não gostasse de (pelo menos por um par de horas) perder-se numa ilha deserta com a sua grande paixão e um mistério (de preferência nao muito complicado) por resolver?
De volta à análise, o índice do Happy Planet colecciona um conjunto de conclusões que inicialmente soam mais a curiosidades (tais como o facto que a "satisfação de vida" aparenta ser superior em ilhas-Nações). Contudo, por detrás disso, ele avalia e fornece dados sobre a sustentabilidade a longo prazo do bem-estar ao mesmo tempo que humildemente reconheçe que, tal como qualquer outro conjunto de estatísticas, padece da devida subjectividade e não almeja fornecer um ranking "ready-made" absoluto (neste caso com os melhores lugares do mundo para se viver). É obviamente compreensível a rejeição violenta do indíce se nunca gostou muito do Robinson Crusoe ou se se passou por uma experiência aterradora ao ver "O Náufrago" no cinema porém, mesmo sendo esse o caso, o índice não merece ser automaticamente descartado. Os estudos da New Economics Foundation apresentam-nos um ponto simples e óbvio mas válido e importante que é o de não existir uma correlação directa entre níveis elevados de destruição ambiental (causada primariamente por um elevado e ineficiente consumo de recursos) e uma vida mais longa e feliz. A política, o desenvolvimento global, o liberalismo e a economia necessitam, mais do que nunca, de exercícios simples e colectivos de pensamento lateral que desafiem e inovem a ordem vigente das coisas.
Comentários
Até neste estamos na cauda! ;)
É incrível mas é verdade. Até neste relatório estamos mal classificados.
Nesta classificação a
Nesta classificação a pegada ecológica tem enorme importância. É ela que explica que, por exemplo, a Palestina esteja classificada acima de Israel, apesar de na Palestina as pessoas terem uma vida bastante insatisfatória, de acordo com esta mesma classificação. Note-se também que os EUA etão quase no fim da tabela, devido à sua enorme pegada ecológica, só comparável à de alguns emirados do Golfo.
Parece impossível!...
Parece impossível haver gente aqui no blogue que dá importância a este desvairado índice!...
The road to serfdom
Este índice é muito relevante.
A felicidade é a coisa mais subjectiva que existe. Quando se criam índice de felicidade implicitamente avalia-se a felicidade alheia de acordo com os critérios subjectivos de alguns. O próximo passo é a tentativa de "ajuda" para que os menos "felizes" de acordo com o índice atinjam a "felicidade".
Vêm alguma relação entre índices deste tipo e algumas ideologias?
"THE ROAD TO SERFDOM"
RICARDOGF disse:
1- "The road to serfdom"
Também lês o Hayek?!...
Fino!...
2- "Vêm alguma relação entre índices deste tipo e algumas ideologias?"
Vejo! São os ideários "ecológicos" da Quercus, da Friends ot the Earth e doutra conhecida organização internacional, de que agora não me recordo o nome...
Aqui nesta casa, o Miguel Duarte também anda entusiasmado com a sua Quercus e, provavelmente, deve gostar desse desvairado índice...
Eu que o apanhe aqui a elogiá-lo...
Submeter um novo comentário