
Nos últimos meses diversas pessoas têm atribuído a brutal (especialmente nos países do Terceiro Mundo) subida do preço dos alimentos aos subsídios que a União Europeia e os EUA concedem à transformação de alguns cereais em etanol (álcool etílico) para uso como carburante. Esses subsídios geram uma procura adicional de cereais, levando ao aumento do preço destes.
É no entanto fortemente injusto focalizarmo-nos nesses subsídios, esquecendo outros subsídios que geram uma procura artificial de cereais ainda muito maior. Refiro-me aos subsídios à pecuária, muito especialmente à criação de vacas. Esses subsídios assumem um montante escandaloso na UE e nos EUA. Ora, as vacas alimentam-se, essencialmente, de cereais - as visões bucólicas de vacas a pastar nos verdejantes campos holandeses ou nas pradarias alentejanas são só para enganar o papalvo - por detrás deles encontram-se estábulos bem fornecidos de cereais e soja, os quais constituem, na verdade, a principal alimentação dos animais. Um quilo de carne de vaca custa, ao que consta, 16 quilos de cereais para ser obtido.
Os subsídios da UE e dos EUA à criação de vacas tornam a carne de vaca anormalmente barata para os consumidres, estimulando a sua procura em detrimento da procura de outras carnes (ou de uma alimentação vegetariana, ou de peixe) que custam menos cereais a obter. Os subsídios à pecuária, especialmente à criação de vacas, são de facto muitíssimo mais culpados pela alta do preço dos cereais do que os subsídios aos biocombustíveis.
Se quisermos fazer baixar o preço dos cereais, os subsídios a abater prioritariamente são os subsídios à pecuária. A carne que quisermos comer deve ser por nós paga ao seu preço real.
Comentários
e
a pecuária de larga escala é sem dúvida uma das actividades mais prejudiciais para o ambiente. Não faz sentido subsidiar uma gestão ineficaz dos recursos naturais.