O MLS está destinado ao fracasso!

Este, é o nosso comentário preferido, porque mostra tão simplesmente uma das razões porque Portugal está na situação em que está.

Não só existe muita gente no nosso país que prefere ficar sentada na sua cadeira sem nada fazer para mudar para melhor as coisas, como existem outros, que em vez de não fazer nada (pelo menos não atrapalhavam), resolvem "trabalhar" para deitar abaixo os poucos que tentam fazer alguma coisa. Mas, já há 500 anos existiam pessoas assim, e foram bem ilustrados por Luís de Camões que os apelidou nos Lusíadas de "Velhos do Restelo".

Pela parte que nos toca, tais comentários só reforçam a nossa convição e só nos dão força para trabalhar ainda mais afincadamente pela mudança. Até porque, já nos consideramos bem sucedidos a vários níveis e estamos bem acompanhados no que toca a sucessos, por vários partidos a nível europeu que já demonstraram que as políticas liberais sociais funcionam (curiosamente, os países que tiveram partidos liberais no poder, são países que geralmente têm um PIB per capita em média mais elevado e maiores taxas de crescimento).

Portugal é dos poucos países europeus que não tem um partido liberal e não acreditamos que até nisto tenhamos que estar na cauda de Europa. Já estamos bem posicionados para vir a ser este partido e quanto maiores forem as dificuldades para lá chegarmos, mais fortes seremos quando atingirmos o nosso objectivo.

Para aqueles que nunca leram os Lusíadas e que pensam de acordo com o título desta página, aqui fica o extracto referido anteriormente, que lhes foi dedicado por Camões. Enquadrando um pouco as coisas históricamente, representa o discurso de um velho a Vasco da Gama quando se preparava para lançar ao mar, rumo à Índia, O velho, experiente, preferia o risco menor do Norte de África, ao riscos e desconhecido que implicavam os Descobrimentos. Todos nós sabemos quem no fim teve razão:

«Mas um velho, d' aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Cum saber só d' experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

– «Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Cũa aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

«Dura inquietação d' alma e da vida
Fonte de desemparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios!
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

«A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
D' ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?

«Mas, ó tu, geração daquele insano
Cujo pecado e desobediência
Não somente do Reino soberano
Te pôs neste desterro e triste ausência,
Mas inda doutro estado mais que humano,
Da quieta e da simpres inocência,
Idade d' ouro, tanto te privou,
Que na de ferro e d' armas te deitou:

«Já que nesta gostosa vaïdade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome, esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidade
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la Quem a dá:

«Não tens junto contigo o Ismaelita,
Com quem sempre terás guerras sobejas?
Não segue ele do Arábio a lei maldita,
Se tu pola de Cristo só pelejas?
Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas?
Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?

«Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe;
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a Fama te exalte e te lisonje
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia.

«Oh, maldito o primeiro que, no mundo,
Nas ondas vela pôs em seco lenho!
Dino da eterna pena do Profundo,
Se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
Nem cítara sonora ou vivo engenho
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória!

«Trouxe o filho de Jápeto do Céu
O fogo que ajuntou ao peito humano,
Fogo que o mundo em armas acendeu,
Em mortes, em desonras (grande engano!).
Quanto milhor nos fora, Prometeu,
E quanto pera o mundo menos dano,
Que a tua estátua ilustre não tivera
Fogo de altos desejos, que a movera!

«Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande arquitector co filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte! Estranha condição!»