Ao saber da demissão da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, chego à conclusão de quem tem ideias e apresenta resultados acima dos esperados é um fardo para os actuais dirigentes políticos.
É sabido que a ex-directora do referido Museu opõe-se fortemente ao actual modelo de gestão de museus, pedindo uma maior autonomia financeira e administrativa, e não terá razão?
Ora todo o dinheiro que os museus, que tiverem na rede do IPM, consigam por si, através de vários mecanismos, um deles é o mecenato, terá que ser dividido por todos, tenham ou não conseguido resultados positivos. O que se passa é que o Museu de Arte Antiga através do mecenas Millennium BCP angariou 500 mil euros e só recebeu 360 mil euros. O argumento, que muitos acharam lógico, foi o de que se a Directora do Museu está em desacordo com as actuais regras, o melhor será demiti-la, não tendo em consideração o excelente trabalho e os diverso elogios, do próprio IPM, à dinamização que consegui criar no Museu.
Citando parte da noticia do Jornal Sol "A ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga defende que instituições como a que até agora dirigiu carecem de autonomia para gerirem os seus recursos e poderem realizar iniciativas e tomar decisões sem depender da autorização dequaisquer organismos externos, que nas suas palavras exercem uma acção «paralisante».", Não seria, o mais indicado, problematizarmos o problema levantado pela historiadora Dalila Rodrigues e rever a actual lei orgânica de gestão dos Museus? Ou será melhor demitirmos indivíduos que apresentam bons resultado ao nível da gestão e dinamização cultural?
Parece-me que a Cultura neste pequeno rectângulo é algo de acessório e dispensável, esquecem-se que um Povo Culto, pressupondo também a educação, faz com que se avance e não se retroceda, tornando-se difícil a sua manipulação e este exigirá maior qualidade dos dirigentes políticos.
Mais uma vez teimamos em não querer aprender com a história ao deixar no esquecimento as palavras de Almeida Garrett - um dos defensores do liberalismo no séc. XIX em Portugal - aquando da criação do Teatro Nacional "Este é um século democrático; tudo o que se fizer há-de ser pelo povo e com o povo... ou não se faz. (...) querem pasto mais forte, menos condimentado e mais substancial: é povo, quer a verdade. Dai-lhe a verdade do passado no romance e no drama histórico (...) o povo há-de aplaudir, porque entende: é preciso entender para apreciare gostar.".
Para bem da cultura, espera-se que a historiadora Dalila Rodrigues não se afaste ou não a afastem por completo para que consiga encontrar um lugar onde continue com a sua contribuição.
Comentários
Normal
Eu acho normal que ela seja demitida. Independentemente do bom trabalho que ela terá desenvolvido, se ela não está politicamente de acordo com os seus superiores hierárquicos, acho normal que a despeçam.
Não me parece correto que, apoiando-se no bom trabalho que fez, ela se "arme aos cucos" e venha pedir maior autonomia. Ou bem que ela aceita fazer o seu trabalho no enquadramento institucional que lhe é oferecido, e nessa altura cala-se, ou bem que não gosta desse enquadramento, e então o melhor é mesmo não estar no posto em que está.
Luís Lavoura
Dúvidas
Também já tive essa opinião. O problema é este: o cargo é de nomeação, não de confiança política. Não é a mesma coisa.
Bom, para lá de outras considerações, como seja o facto de o Ministério ter desviado 140 mil euros para destinos que o patrono não previu nem autorizou.
Por fim, também nos deveríamos questionar sobre o modelo de gestão de serviços públicos que queremos ter.
Excelente Post ;)
Excelente Post ;)
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