O Verdadeiro Voto Útil

Como já aqui disse, tenho estado muito indeciso sobre em que partido votar nas legislativas.

Como liberal não me revejo, tal como os restantes membros do MLS, em nenhum partido do sistema, agravado pelo facto que todas as propostas programáticas que se me são apresentadas pelos partidos (grandes e pequenos) têm sugestões perfeitamente arrepiantes.

É neste momento evidente que o PS não vai ter maioria absoluta, mas também a realidade é que não quero que o PS tenha maioria absoluta. Sendo que, também "não durmo" só de pensar na possibilidade numa eventual coligação PS/BE/PCP.

Também não quero o PSD de volta ao poder, principalmente porque não dá mostra de ter qualquer projecto para o país e dispenso o conservadorismo/populismo do CDS-PP (apesar da sua aposta nas PMEs e em impostos baixos obviamente me tentar, ainda por cima pois parece-me que a coligação mais interessante até seria uma coligação PS/CDS-PP).

O Bloco de Esquerda transformou-se, dado o seu peso, num perigo para o país. Já não é um partido de protesto, mas sim, uma força de extrema-esquerda que tem que ser combatida. O PCP é uma força em extinção e, claro, nunca poderia votar neste partido para as legislativas.

Sendo que, o sistema tem que mudar, o discurso tem que mudar, a política em Portugal tem que mudar.

Ora se o sistema tem que mudar, temos que colocar novas forças no parlamento, mesmo que não defendam os programas que mais gostamos. Tal vai gerar mais pluralismo e abrir a porta à criação de novas forças políticas, com programas mais próximos daquilo que defendemos. Os portugueses têm que mostrar que vale a pena criar forças políticas novas e que criar um novo partido não é necessariamente uma causa perdida.

O maior problema actual da sociedade portuguesa é o imobilismo da nossa democracia, que não mudou no que toca às principais forças políticas (e políticos) em mais de 30 anos.

Face ao actual cenário de forças, o mais provável é que dentro de 2 anos estejamos novamente a ter eleições e se alguns dos "pequenos" conseguirem entrar no parlamento tal significará que em 2 anos poderemos ver novos partidos a entrar no sistema.

Após reflectir sobre este tema, e algumas conversas, tomei uma decisão. O meu voto nestas eleições vai ser obrigatoriamente direccionado para uma força política sem representação parlamentar no actual parlamento. De todas as disponíveis irei votar no menor dos males e tentar ajudá-la a eleger um deputado por Lisboa.

O voto útil, nestas eleições, é o voto da mudança, que abra a porta a novas ideias e aumente o pluralismo da sociedade portuguesa. Se alguém por aqui está a pensar em votar em branco ou abster-se, a minha sugestão é, reveja o programa dos partidos sem representação parlamentar e vote no menos mau.

Esse é o único voto que pode ajudar a abrir as portas a um partido liberal dentro de alguns anos.

Comentários

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Retrato de Artur Baptista

Tenho que para mim a

Tenho que para mim a coligação pre-eleitoral entre o PSD e o CDS/PP seria a melhor solução para a nossa questão Liberal. Sendo certo que estamos a "somar" dois partidos que são mais conservadores do que nós gostariamos, era talvez o mau menor.
Só que para mim, esse programa teria de ser um programa de valores "de Centro Direita Fracturantes"!

Retrato de Miguel Duarte

É por causa do conservadorismo...

Que preferiria uma coligação PS/CDS-PP, até porque apesar de tudo parece-me que o PS vai ganhar as eleições.

O CDS-PP puxava a política económica do PS mais para a direita económica, o PS controlava os ímpetos conservadores do CDS-PP. Seria um mandato em que as liberdades individuais não avançariam muito, mas pelo menos também não as sentiria a andar para trás, como foi no governo PSD/CDS-PP, e para a economia seria obviamente melhor que um governo de esquerda.

Retrato de Hugo Garcia

interessante

Olha que até gosto dessa ideia.

Neste momento parece-me que o PSD está mais à direita que o PP.

Uma coligação PS/PP poderia ser um equilíbrio interessante.

Penso que continuaria o combate aos previlégios de certas classes profissionais, bem como o investimento em áreas estratégias como a energia e o investimento tecnológico.
Algum apoio às PMEs também era provável.

Ficava para trás era o casamento gay.

Mas tudo isto era uma óptima oportunidade para um partido Liberal no final desse mandato.

Retrato de Luís Lavoura

Já tivemos

Tivemos uma coligação PSD-CDS no poder há cinco anos atrás. Foi um desastre. Ministros incompetentes, casos feios, e total inoperacionalidade. Não fizeram nada, não reformaram nada. Foram três anos perdidos para o país.

Daqueles dois partidos só se pode esperar incompetência, e pior.

Luís Lavoura

Retrato de João Mendes

E em 2009...

E a actual líder do PSD foi a Ministra das Finanças das "medidas extraordinárias". Saíu-lhe a sorte grande quando começaram a dizer que ela era muito rígida e tinha uma grande obsessão por acabar com o défice, quando na realidade tudo o que fez foi tentar mascará-lo com medidas avulsas. Agora vem dizer que quer ser Primeira Ministra, e diz que tem uma "política de verdade". Pois.

Retrato de Artur Baptista

Apesar de eventualmente com

Apesar de eventualmente com essa "mistura" nós pudermos ter algum novo "composto" que não seja tão mau, estamos a jogar para a liga de honra e não para a Liga dos Campeões. É que tenho que para mim andámos 35 anos (estou a falar da minha geração, claro) a votar Util e nunca a votar naquilo que queriamos para o País. Também os partidos, como se deram bem com este tipo de escolhas não tem coragem para defender sitauções mais complexas.
Ora o que eu penso é que Portugal já não terá muito tempo para se decidir se quer ser um País dinâmico, moderno ou se quer ir empobrecendo suavemente, quase sem dar por isso.

Retrato de Miguel Duarte

Mas por isso...

É que defendo que devemos "votar útil" nos pequenos partidos. O sistema só vai mudar se for forçado a isso e para forçar o sistema a mudar é necessário criar "stress".

O surgimento de novas forças políticas no parlamento, à falta de uma força liberal, iria causar esse stress. Uma coligação PSD/CDS-PP é mais do mesmo. Não vai criar nenhuma alteração sistémica nem trazer verdadeiramente nada de novo.

Adiar estas alterações só nos vai levar a continuar no empobrecimento que referiu. Por pura e simples ausência de um mercado de ideias concorrencial.

Retrato de Luís Lavoura

Concordo, mas...

Concordo com a generalidade do post, mas não tenho a certeza quanto às conclusões.

Para mim há uma hipótese: uma coligacão pós-eleitoral PS-PSD, à alemã. O primeiro-ministro seria o líder do partido mais votado (PS ou PSD) e o vice-primeiro-ministro seria uma figura (não o líder) do segundo partido mais votado. Por exemplo, poderia ser José Sócrates primeiro-ministro e Aguiar Branco vice, ou então Manuela Ferreira Leite primeira-ministra e Pedro Silva Pereira vice.

Não é para mim claro que tal hipótese fosse má, e que não devamos apostar nela.

Luís Lavoura

Retrato de João Cardiga

Governo minoritário

Julgo que o cenário mais provavel de acontecer é a de um governo minoritário do PS sem coligações. Em que consoante o tema irá receber apoios à direita (economia) ou à esquerda (liberdades civis).

Nesse cenário o PS colocaria muita pressão na oposição, principalmente no PSD.

Julgo mesmo que poderá até ser um optimo governo por esse motivo.

E existe ainda outro pormenor: durante 1 ano a Assembleia não caí!

Retrato de Luís Lavoura

Chão

Agora quando fui almoçar apanhei do chão da rua um folheto propagandístico do MEP que deveria ter sido deixado no pára-brisas de um carro.

O folheto estava muito bem feito, explicava que o MEP pode eleger um deputado por Lisboa e (com alguma dificuldade) um pelo Porto e (com ainda maior dificuldade) um por Aveiro. E tinha umas 30 medidas propostas pelo MEP, as quais - sem terem orientação ideológica bem definida - me pareceram todas deveras razoáveis.

Acho que vou votar neles, aceitando assim a recomendação deste post.

Sei que me vão dizer que o MEP é um partido de direita. Eu até posso estar de acordo, mas - não será bom ajudarmos, com o nosso voto, a que a direita portuguesa (CDS e PSD) saia do estado de imbecilidade, inépcia e imoralidade em que se encontra? Não será bom ajudarmos, através do nosso voto, a que ela se sinta desafiada por um novo partido, que comece a "comer" no seu espaço e que portanto a incite a melhorar?

Luís Lavoura

Legislativas

Eu não voto em partidos, voto em medidas e em quem as preconiza! Vou votar pelo inglês, informática, educação sexual, escolaridade obrigatória até ao 12º ano, avaliação dos professores e permanência até às 17H, nas escolas. Pelos genéricos,publicação das grandes dívidas ao fisco na net, cartão de cidadão, documento único automóvel, permissão para conduzir motociclos com carta de ligeiros, criação de empresas na hora, acesso às informações pessoais e envio do IVA e IRS pela net (portal das finanças), pelo TGV e aeroporto, proibição de fumar dentro de estabelecimentos de restauração, livro de reclamações.O aumento do SMN foi este ano de 5,6 %, e o ano passado foi de 5,7 %. Só ultrapassado há 16 anos, em 1993 (6,5%). “direcção geral do emprego e das relações de trabalho- evolução do SMN”.
Sou contra o apoio aos bancos, o preço exagerado dos combustíveis e do Imposto automóvel exagerado. Em 23 medidas, 3 contra.

Legislativas

Eu não voto em partidos, voto em medidas e em quem as preconiza! Vou votar pelo inglês, informática, educação sexual, escolaridade obrigatória até ao 12º ano, avaliação dos professores e permanência até às 17H, nas escolas. Pelos genéricos,publicação das grandes dívidas ao fisco na net, cartão de cidadão, documento único automóvel, permissão para conduzir motociclos com carta de ligeiros, criação de empresas na hora, acesso às informações pessoais e envio do IVA e IRS pela net (portal das finanças), pelo TGV e aeroporto, proibição de fumar dentro de estabelecimentos de restauração, livro de reclamações.O aumento do SMN foi este ano de 5,6 %, e o ano passado foi de 5,7 %. Só ultrapassado há 16 anos, em 1993 (6,5%). “direcção geral do emprego e das relações de trabalho- evolução do SMN”.
Sou contra o apoio aos bancos, o preço exagerado dos combustíveis e do Imposto automóvel exagerado. Em 23 medidas, 3 contra.

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