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Privacidade em Risco

Focus, 23 de Abril de 2008

A longo dos dos últimos anos, passo a passo, a nossa privacidade no mundo físico e no mundo virtual tem vindo a ser perdida. A privacidade não é importante por si só, mas sim, porque privacidade significa tão simplesmente a liberdade de sermos quem desejamos ser. Não devemos ter ilusões: um homem sem privacidade é um homem sem liberdade. Existem três grandes forças que têm impulsionando a perda do direito à privacidade: a pressão que o eleitorado exerce sobre o poder político no sentido de um aumento da segurança que é muitas vezes uma questão de aparência; a necessidade das empresas conhecerem cada vez melhor o consumidor; a terceira força é o desenvolvimento tecnológico. Este avanço torna possível ao Estado, em resposta à primeira força, utilizar a tecnologia para construir gigantescas bases de dados com informação detalhada sobre os cidadãos, de uma forma que nem George Orwell imaginou quando escreveu 1984. Mesmo que as instituições e os Estados sejam de confiança hoje, não sabemos se continuarão a ser amanhã. Quem não deve, não teme, mas quem não tem pelo menos um pormenor da sua história pessoal, ou dos seus pensamentos, que prefere não divulgar publicamente? A realidade é que todos nós, como humanos e seres imperfeitos, a residir em sociedades que são tudo menos perfeitas, temos todo o interesse em garantir a preservação da privacidade, por forma a garantir a preservação da liberdade. Como diz a filósofa Ayn Rand: "A civilização é o progresso em direcção a uma sociedade de privacidade. Toda a existência de um selvagem era vivida publicamente, regulada pelas leis da sua tribo. A civilização é o processo de libertar o homem do homem."

Artigo de opinião de Miguel Duarte - Presidente do MLS

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