Rusgas

Ontem a Polícia Judiciária fez uma rusga em diversas empresas do grupo Estoril-Sol, no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro, faturas falsas e outros crimes financeiros. A rusga foi noticiada, com enorme destaque, nos noticiários da noite. Naturalmente, foi referido que um porta-voz do Estoril-Sol confirmou a rusga e afirmou que o Estoril-Sol nada tem a esconder.

Em Portugal, à ineficiência da investigação policial, em particular no que respeita aos crimes financeiros, corresponde um enorme alarido à volta de operações que, de certa forma, até deveriam ser rotineiras. A polícia está a investigar - muito bem, é a sua obrigação. A polícia está a apreender documentos para verificar a sua conformidade com a lei - faz ela muito bem. A polícia está a procurar indícios de uma qualquer falcatrua num qualquer grande grupo económico - ótimo. Mas isso não deveria ser motivo de notícia, muito menos de uma notícia de primeira página. O facto de a polícia fazer uma rusga, investigar, apreender documentos no grupo Estoril-Sol - não significa que o Estoril-Sol tenha feito qualquer coisa de mal; significa apenas que a polícia está a trabalhar, como lhe compete.

Ora, o que é preciso não é ver a polícia a trabalhar; o que é preciso é ver frutos desse trabalho em termos de condenações judiciais concretas.

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