Thomas Hill Green

(7 Abril 1836, Birkin – 26 Março 1882, Oxford)

Thomas Hill GreenThomas Hill Green foi um importante filósofo e político britânico, que fundou a escola do Idealismo Britânico. Ele foi pioneiro no questionar da tradicional antítese liberal entre o Estado e o indivíduo. As palestras de Green em Oxford no ano de 1879 – “Lectures on the Principles of Political Obligation” e “Prolegomena to Ethics” – são o começo da transformação do liberalismo inglês no sentido do liberalismo social.

Ao ler o trabalho de Green, reparamos na ênfase dada ao individualismo, que é muito forte em todo o pensamento liberal. No entanto, se o compararmos com os pensadores liberais que o precederam, podemos dizer que ele substituiu a anterior ênfase na autonomia do indivíduo por uma ênfase na sociedade “orgânica” e no valor do ethos da comunidade. Ele via o indivíduo como parte da sociedade e abordava as obrigações deste para com a comunidade. O desenvolvimento das suas ideias tem de ser visto no contexto das circunstâncias históricas em que ele viveu. Nessa época, a revolução industrial provocou consequências socio-económicas altamente desiguais. O súbito desenvolvimento económico foi acompanhado por fracas condições de saúde e de trabalho.

Estas condições levaram-no a criticar os fardos e as injustiças que o sistema de mercado impunha à classe trabalhadora e a exigir políticas que fornecessem uma igualdade de oportunidades e liberdades de facto e não apenas em teoria. O objectivo, segundo Green, era o desenvolvimento humano total e igual. Dado o estado extremo de alienação e as desigualdades sofridas por muitas pessoas nesta altura, Green frisava a necessidade de considerações éticas e morais e a obrigação que a sociedade como um todo tinha de assegurar a possibilidade de auto-realização de cada um.

Segundo ele, para melhorar as condições de vida e de trabalho era necessária uma abordagem política activa e um paradigma liberal alargado. Isto acontecia tanto por razões éticas como por motivos pragmáticos, dadas as crescentes fricções entre classes na Grã-Bretanha, que estavam a aumentar ainda mais na viragem do século. T. H. Green desempenhou um importante papel na mudança dos pressupostos liberais, ao passar de uma concepção ‘negativa’ da liberdade, i.e. liberdade a partir da acção de outros, para uma visão mais positiva, incluindo a liberdade de actuar de determinado modo.

O debate por ele iniciado foi seguido por outros pensadores liberais como David Ritchie, John Hobson e Leonard Hobhouse, e todos eles contribuíram para que o pensamento liberal se afastasse de uma abordagem de estrito laissez-faire e passasse a incorporar um papel para o Estado no bem-estar social. O seu contributo reside na tentativa de reconcicliar uma sociedade de mercado capitalista com o liberalismo num Estado democrático. Partilhando com o marxismo o ideal de uma sociedade sem classes, Green nunca se afastou da sua convicção de que tal poderia acontecer num sistema de mercado. De facto, ele partilhou com liberais como F. Hayek essa convicção de que só se poderia alcançar uma sociedade livre com uma economia de mercado. O seu espírito influenciou pensadores e pode ser apreciado na legislação social aprovada por governos liberais, que criou os alicerces do Estado-providência.

Bibliografia:

  • Freeden, M. – The New Liberalism: An ideology of Social Reform, Oxford, Clarendon Press, 1978
  • Greengarten, I.M. – Thomas Hill-Green and the Development of Liberal-Democratic Thought, University of Toronto Press, Toronto, 1981
  • Nettleship, R.L. e Nicholson, P.P. (eds.) – Collected Works of T.H.Green, Bristol, Thommes, 1997

Texto original de Barbara Plank, traduzido por Luís Humberto Teixeira